8 de dez de 2009

Obesidade é uma doença não contagiosa




 imagem: www.comportamentomagro.com.br

A obesidade, além de ser maléfica à saúde, traz conseqüências traumáticas aos que convivem com a doença. A afirmação é da psicóloga Luciana Kotaka, 38 anos, que é especializada em distúrbios alimentares. Segundo ela, quando a pessoa está acima do peso, fica com sua auto-estima comprometida. A partir daí, o tratamento que recebe pode culminar em sua reclusão, fazendo com que evite sair de casa, faça amizades e até frequente academia.

“Infelizmente, não sabemos lidar de forma adequada com os obesos, e isso fica muito claro para eles”, afirma a psicóloga. Para Luciana, a mídia prega a todo o momento que “felicidade e beleza são sinônimas de um corpo magro. E isso abala o psicológico dos ‘gordinhos’”.

As pessoas que um dia já estiveram dentro dos padrões estabelecidos pela sociedade são as que têm as maiores sequelas. Denise Santos, 32 anos, profissional de beleza, revela: “Nunca fui magra, mas até os meus 18 anos, eu era muito saudável”. A situação se agravou quando ela deixou de frequentar academias e depois de dar à luz a duas crianças, . “O meu maior trauma é saber que um dia já fui linda e sensual”, exclama. Denise já foi vítima de preconceitos dentro de ônibus. “Ninguém quer sentar ao lado de um obeso. E com razão, pois ocupamos a maior parte dos dois assentos”, justifica. “Ninguém entende a dificuldade que é carregar um peso maior que um corpo pode sustentar. E não há assentos especiais para ‘gordos’, as pessoas deveriam ser mais compreensivas”, reclama.

Situações como essa podem não apenas levar os obesos a se excluírem dos círculos sociais, como também a se tornarem depressivos. A psicóloga Luciana diz que nesses casos é necessário o acompanhamento com um psiquiatra. “Quando temos um paciente muito deprimido, interferindo em suas atividades rotineiras, ele é orientado a procurar ajuda psiquiátrica”, explica ela.

“A predisposição genética não é o único agente causador da obesidade”, diz Luciana. A vida corrida dos dias de hoje, segundo ela, também é determinante para o ganho de peso. “Estresse, falta de tempo para usufruir de outros momentos de prazer, situação financeira insatisfatória, cobranças de familiares e solidão transformam a comida em uma forma rápida de satisfação”, revela. Em sua clínica, Luciana ensina os pacientes a canalizar suas emoções e a tratar o alimento apenas como fonte de nutrição, para assim evitar exageros no consumo.

No Brasil, 38 milhões de brasileiros estão acima do peso. Destes, dez milhões são considerados obesos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).


Autor: FERNANDO VALASCO RAMOS 

Luciana Kotaka - Psicóloga

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